Dona Carolina é a mais velha das quatro mulheres retratadas no documentário 'Nós, Carolinas'

– por Peri Pane

“Quem é essa mulher que levanta todo dia cedo e vai trabalhar? Três horas para ir e três para voltar. E vai estudar. E no fim de semana limpa a casa e ainda cuida dos filhos. E quer namorar, quer tomar uma cerveja também”, questiona Regiany Silva, 28, uma das diretoras do documentário “Nós, Carolinas”. A pré-estreia aconteceu na quarta-feira (8 de março) na Galeria Olido, no Centro de São Paulo.

O documentário foi criado e dirigido pelo coletivo Nós, Mulheres da Periferia, formado por sete jovens comunicadoras. Para chegar até as histórias das quatro personagens que compõem o vídeo, elas entrevistaram cerca de cem mulheres durante oficinas que realizaram durante o projeto Desconstruindo Estereótipos, sobre a representação das moradoras das periferias na grande mídia.

“Muitas mulheres trouxeram a questão do racismo nas falas. Estamos diante de um genocídio da juventude preta”, afirma Jéssica Moreira, 25, integrante do coletivo. “Então, quando a gente traz a Renata [Ellen Soares Ribeiro, uma das entrevistadas do documentário], que tem 18 anos e está aceitando seu cabelo, se reconhecendo como mulher negra, a gente acredita que está chegando nas meninas da periferia”, completa.

O coletivo Nós, Mulheres da Periferia surgiu em 2014 com o lançamento do site, criado por jovens jornalistas que já trabalhavam juntas no Mural – Agência de Jornalismo das Periferias. A primeira grande ação do coletivo foi uma campanha em que fotografavam mulheres com uma placa com a hashtag “Eu mulher da periferia”.

“Quando a gente fala que nossas mães e nossas avós sempre foram feministas por mais que não tivessem esse referencial teórico, é porque estamos falando de um potencial social que existe na quebrada que às vezes não é dito, que fica apagado”, diz Jéssica.

Segundo o coletivo, a representação da mulher na grande mídia pode ser reduzida a “uma meia dúzia de caixinhas”. “A mulher da periferia sempre aparece como vítima, subalterna, ignorante. A gente quer mostrar que existe diversidade e resistência”, afirma Lívia Lima, 30, integrante do coletivo.

O nome do documentário foi inspirado em uma das personagens, Dona Carolina, que tem 93 anos; e também faz menção honrosa à escritora mineira Carolina Maria de Jesus (1914-1977), autora do best-seller “Quarto de Despejo”.

Assista aqui o Teaser ‘Nós, Carolinas’ – Nós, mulheres da periferia

“Isso mostra que a gente não está inventando a roda, que esse movimento começou lá atrás e que todas somos Carolinas, cada uma com a sua ferramenta. Estamos escrevendo a história da nossa vida todos os dias”, conclui Aline Kátia Melo, 33, integrante do coletivo.

Fonte: Folha ilustrada

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