© Pierre-Auguste Renoir - Nu Dans un Paysage (1887)

Maria, menina, mulher …
Vai a vida e ama
Em sua plenitude
Derrama o cálice doce de saliva
Que guardaste até hoje
Ao ouvir teu coração
E junto dele fez rima
Sentiu desejo
Andou nas nuvens
Teve saudade…
Sente tezão!
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

arrasto meu humor
como correntes barulhentas
em calabouço
sangram os elos ferrugem
morno e’ o que me unge
nos hiatos de aflição
peco a palavra da boca
perco a virgem da historia
desacordo pensamentos
desalinhando trajetória
rude me interrompo e justifico
corte na tez tao tenra
fluir me faz tao tensa
desconforto me retoma
meus cabelos desalinho
ameaça não me corrompe
de você …de novo
provo
meu hoje ainda e’ tao ontem!
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

Marc Chagall – grey-lovers – 1917

eu aqui, refém de sonhos profanos
jogo a rede e trago coincidências
afinal…elas existem?
vou, sensata buscar-te
nas palavras eloquentes
de prazer e de desejo
insculpindo montanhas
que no seu mais profundo absorve e conserva
contornos de nossos corpos
todo mel que nos traz suspiros inquietos
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

não fique aqui agora
o sorriso no rosto é curto
o silêncio da solidão é pouco
linhas frias em mãos de acariciar…
coração intimida o peito
rompe o ruido da rede
que em rendas e madrigais
a moça não quer sonhar
na pauta um traço mal feito
um rabisco torto no escuro
reclamando todo apuro
de querer-te abraçar
de saber-te só mais um pouco
boa noite pra tudo
e se ficou algo…
o amanhecer se encarrega de apagar
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

poemas com dois corações
tenho comigo guardado
um silêncio de cais em fim de tarde…
eu, a entonação do vento no litoral.
o mar vem trazendo canções adormecidas…
tramando no frio, fio a fio, viagem devagar.
anoitecer? ainda não!
deixai no cais aquele barco chegar…
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

Gustav Klimt – Esperança

Só a noite sabe de minha fé
Na teia que cresce o futuro
Sem fundo, sem fim,
Desnudo
De ninguém
Sem nada pra mim…
E a lua, nela ,inteira
Alheada de tudo que sabe
Num instante ouve meu clamor
Lágrimas me brotam
Lhe cabendo aragem
Do existir à essência
Ao resistir no que tem crido
O que crucificado pode ser
Deixado de lado
-Durmo ,frustro, infecundo-
Não quero falar alto
Posso acordar Deus
Assim é o mundo
Mudo
Desnudo
E ninguém vê
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

estou tao às palmas
entornando minha’alma quando vens
traçando linhas do meu destino…
tuas mãos suando meus poros
tuas mãos meus contornos
seios pernas leito dorso …
poema que tinge o corpo
me anoitece quando deito
meus sonhos
em ti: deleite!
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

Vou olhar pra lua..
É lá que te encontro por acaso.
Nas frestas de minha janela
E se moramos nessa mesma lua…
Logo mais te encontro a passear
Seu cavalo alado me leva sua
Sob olhares tortos,caminhos rotos
Pedras ,paralelepípedos
Nosso caminho ladrilhar
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

A noite deixa rastros
Num silêncio que alucina
Sombras espaçadas desenham paredes…
Desvelo falso em meu bom dia
Não pretendo amor dos fracos
Covardes debocham dos loucos de amar
Que se extasiavam descalços
Pisando linha tênue
Sorrindo boca da mesma rotina
No leito da outra foz
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

“Cheguei mais tarde de minha ausência
Reticências que só eu sei pensar
Coração, carne, cheiro de sexo,
Bálsamo da tinta quando se esparrama no papel
Parece que deita e se deleita de imaginar
Quer engolir o mundo e sair da linha
Apagar as pautas
Impostas
Com prazo, medidas para que eu seja feliz
Às vezes não suporto viver quando o sol esvazia
Então…
Desenho em mim girassol que vejo
E volta a te desejar
Egoico ler a vida em amarelo
Sem pausas virgulas e ponto
Alinhavos meus sonhos
E no retalho do tempo
Dou formas contornos
Rendas e conforto
Te amo
Tudo de novo!
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

Meu destino é sem lamentos
Inevitável os olhares sentidos
Os sentires do coração
Em passos lentos vou
Perco-me no horizonte turvo
Sonhos? Todos !
Rasa vem a culpa…

Minha verdade:
Profunda.
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

Voyeur
antes da noite do teu ultimo homem
reunirei em mim… teus amores
me saberei mulher em teus sonhos
quem sabe a lua que me aponta
revele a direção de teu olhar
e nele, com sorte, me encontras…
Hoje em mim tuas sutilezas
teus hiatos…
sem pudor toquei teu corpo
templo da delicadeza…
Dono de minha poesia…
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

o sândalo
o salmo
a reza que rompe a raiva
nas praças, nos bosques
nos bares , jantares…
ha um santo de pau oco
no eco…
no canto sacro- água benta
lavando histórias mal contadas
de temores mal atados
desenho rude de um cruel impune
nas pautas em branco
nas bordas da cama
na rosa da trama
que guardo ali
…e ainda não amei
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

Georges Braque, Femme nue assise, 1907

vem arar meus sonhos
embalar minha rede
encantar meu desejo
traduzir o que me explode
aqui, dentro do peito…
o dia se faz dourado
pós castanho anoitecer
pulsar de adolescente
…e sei o que é amor!
na lágrima que água fonte
na semeadura do sentir transparente
ávida para tê-lo em meus braços
e sentir…
e te ouvir
e te acariciar
e prazer
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

Aos poucos
Os loucos apontam na esquina
Afiando suas facas
Degustando teus prazeres
Abstêmios de carnes raras
Corações em desmantelo
Sem medida nem medo
Arrepiam suave tez clara
Rimam choro com sussurros
Quando cedem tais apelos…
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

mãos tuas que às minhas chegam
em linhas da vida
traçadas ha muito…
mãos que tocam e acordam
meus versos brejeiros
sonhando-te por inteiro
…estrofes esboçando a manhã
bem definidas as linhas
cúmplices, traçam contorno do corpo
tecem os poros suaves caminhos
acalma a saudade quando se juntam as minhas
e gozo se faz na palma da mão
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

eu, expectadora da vida …do tudo
do sempre
vou meu caminho sem insistir
mais do que me consentes
ha risco na partida
e liberdade na alma que chega
desgarrada
incapaz de qualquer invasão
surpresa de mim mesma
sem pedir repouso…
corpo que água nos poros
faz sentir o coração
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

fui regar meu amor
comer seus frutos
abrir as janelas da vida
contar-lhe tudo que aflora em mim
colhi flores pro meu amor
de aroma delicado
pomar em tinta cheirosa
de saudade que não dói, só espera
ritmo em meu coração onde vou te encontrar
demorar em teus braços e dançar
e cantar…
como se não quisesse mais sair
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

Maria Fernanda Arruda

e tu, o que sabes de mim?
de meu repouso cotidiano em
lembranças quando vens…
de meu sentimento mais apurado
no silêncio que me guardo
nas histórias que trago, enfim
sabes de mim
quando tarde desapareço
no curso fluvial profundo
denso como sei ser
em tudo que pretendo de nós,
que desperta,agita
me dá fome e prazer
– Maria Fernanda Arruda (inédito)
– enviado pela autora –

§

Biografia da autora:
Maria Fernanda Arruda poeta do pantanal […]. Mantém o blog ‘PutaMadre‘.

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