Machado de Assis - aforismos e excertos

Uma seleta de aforismos, frases e excertos de várias obras do autor de Dom Casmurro. A citações não estão na ordem cronológica do livro e as referências bibliográficas constam em cada excerto.

De ‘DOM CASMURRO’

❝ Tinha o sestro de sacudir o ombro direito, de quando em quando, e veio a perdê-lo, desde que um de nós lho notou, um dia, no seminário; primeiro exemplo que vi de que um homem pode corrigir-se muito bem dos defeitos miúdos.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ … a saudade é isto mesmo; é o passar e repassar das memórias antigas.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Aos quinze anos, há até certa graça em ameaçar muito e não executar nada.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Você já reparou nos olhos dela? São assim de cigana oblíqua e dissimulada.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva. Há nisto alguma exageração; mas é bom ser enfático, uma ou outra vez, para compensar este escrúpulo de exatidão que me aflige. Entretanto, se eu me ativer só à lembrança da sensação, não fico longe da verdade; aos quinze anos, tudo é infinito.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ … éramos dois e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Há coisas que se não ajustam nem combinam.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”. São Paulo: Ática, 1999.

§

❝ A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Nós é que éramos os mesmos; ali ficamos, somando as nossas ilusões, os nossos temores, começamos já a somar as nossas saudades.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Catei os próprios vermes dos livros, para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles.
– Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos; nós roemos.
Não lhe arranquei mais nada. Os outros todos, como se houvessem passado palavra, repetiam a mesma cantilena. Talvez esse discreto silêncio sobre os textos roídos fosse ainda um modo de roer o roído.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Ó ruas antigas! ó casas antigas! ó pernas antigas! Todos nós éramos antigos, e não é preciso dizer que no mau sentido, no sentido de velho e acabado.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ (…) senti necessidade de lhe dizer uma palavra em que lhe ficasse o remorso da minha morte.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ …os que amam a natureza como ela quer ser amada, sem repúdio parcial nem exclusões injustas, não acham nela nada inferior.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham…
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde. Mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ As pessoas valem o que vale a afeição da gente, e é daí que mestre Povo tirou aquele adágio que quem o feio ama bonito lhe parece.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Há coisas que só se aprendem tarde; é mister nascer com elas para fazê-las cedo. E melhor é naturalmente cedo que artificialmente tarde.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Há coisas que só se aprendem tarde; é mister nascer com elas para fazê-las cedo. E melhor é naturalmente cedo que artificialmente tarde.
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ Estávamos ali com o céu em nós. As mãos, unindo os nervos, faziam das duas criaturas uma só, mas uma só criatura seráfica. Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham…
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

❝ — A vida é uma ópera e uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestração é excelente…
— Machado de Assis, no livro “Dom Casmurro”. São Paulo: Ática, 1997.

§

De “MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”

❝ Naquele dia, a árvore dos Cubas brotou uma graciosa flor. Nasci; recebeu-me nos braços a Pascoela, insigne parteira minhota, que se gabava de ter aberto a porta do mundo a uma geração inteira de fidalgos. Não é impossível que meu pai lhe ouvisse tal declaração; creio, todavia, que o sentimento paterno é que o induziu a gratificá-la com duas meias dobras. Lavado e enfaixado, fui desde logo o herói da nossa casa.
— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”. São Paulo: Ática, 1999.

§

❝ E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou.
— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”. São Paulo: Ática, 1999.

§

❝ Saltar de um retrato a um epitáfio, pode ser real e comum; o leitor, entretanto, não se refugia no livro, senão para escapar à vida.
— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”. São Paulo: Ática, 1999.

§

❝ — Estou muito zangada com o senhor. — Dizia ela.
— Por que?
— Por que… Não sei por que… Porque é minha sina… Creio que às vezes que é melhor morrer.
Tinham penetrado numa pequena moita: Era lusco-lusco; eu segui-os. O Vilaça levava nos olhos umas chispas de vinho e de volúpia.
— Deixe-me, disse ela.
— Ninguém nos vê. Morrer, meu anjo? Que ideias são essas! Você sabe que morrerei também… Que digo?… Morro todos os dias, de paixão, de saudades…
— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”. São Paulo: Ática, 1999.

§

❝ Matamos o tempo; o tempo nos enterra.
— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”. São Paulo: Ática, 1999.

§

❝ Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa, e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lentejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos, não há platéia.
— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”. São Paulo: Ática, 1999.

§

❝ … o tempo caleja a sensibilidade, e oblitera a memória das coisas.
— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”. São Paulo: Ática, 1999.

§

❝ Trata de saborear a vida; e fica sabendo, que a pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas. O ofício delas é não parar nunca; acomoda-te com a lei, e trata de aproveitá-la.
— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”. São Paulo: Ática, 1999.

De “QUINCAS BORBA”

❝ …a autoridade não pode abusar da lei, sem esbofetear-se a si própria.
— Machado de Assis, no livro “Quincas Borba”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.
— Machado de Assis, no livro “Quincas Borba”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ O maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado.
— Machado de Assis, no livro “Quincas Borba”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ (…) o homem só comemora e ama o que lhe aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
— Machado de Assis, no livro “Quincas Borba”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.
— Machado de Assis, no livro “Quincas Borba”. São Paulo: Ática, 1998.

§

De “O ALIENISTA”

❝ A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.
— Machado de Assis, no livro “O alienista”. São Paulo: Ática, 1996.

§

❝ Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas.
— Machado de Assis, no livro “O alienista”. São Paulo: Ática, 1996.

§

❝ Verdade é que, se todos os gostos fossem iguais, o que seria do amarelo?
— Machado de Assis, no livro “O alienista”. São Paulo: Ática, 1996.

§

❝ Tudo era loucura. Os cultores de enigmas, os fabricantes de charadas, de anagramas, os maldizentes, os curiosos da vida alheia, os que põem todo o seu cuidado na tafularia, um ou outro almotacé enfunado, ninguém escapava aos emissários do alienista. Ele respeitava as namoradas e não poupava as namoradeiras, dizendo que as primeiras cediam a um impulso natural e as segundas a um vício. Se um homem era avaro ou pródigo, ia do mesmo modo para a Casa Verde; daí a alegação de que não havia regra para a completa sanidade mental.
— Machado de Assis, no livro “O alienista”. São Paulo: Ática, 1996.

§

De “RESSURREIÇÃO”

❝ Seu coração sabia amar, e a ideia de que a sua felicidade custaria lágrimas a alguém fundamente lhe doía.
— Machado de Assis, no livro “Ressurreição”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ Perdem o bem pelo receio de o buscar.
— Machado de Assis, no livro “Ressurreição”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ Decidam lá os doutores da Escritura qual destes dois amores é melhor, se o que vem de golpe, se o que invade a passo lento o coração. Eu por mim não sei decidir, ambos são amores, ambos têm suas energias.
— Machado de Assis, no livro “Ressurreição”. São Paulo: Ática, 1998.

§

De ESAÚ e JACÓ

❝ Como é que se matam saudades não é coisa que se explique de um modo claro. (…) Há quem creia que, ainda mortas, são doces, mais que doces.
— Machado de Assis, no livro “Esaú e Jacó”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio.
— Machado de Assis, no livro “Esaú e Jacó”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ As ocasiões fazem as revoluções, disse ele, sem intenção de rimar, mas gostou que rimasse, para dar forma fixa à ideia. Depois lembrou a índole branda do povo. O povo mudaria de governo, sem tocar nas pessoas.
— Machado de Assis, no livro “Esaú e Jacó”. São Paulo: Ática, 1998.

§

De “HELENA”

❝ Quando a suspeita germina na alma, o menor incidente assume um aspecto decisivo.
— Machado de Assis, no livro “Helena”. São Paulo: Martin Claret, 2002.

§

❝ O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito desfaz-se; basta a simples reflexão.
— Machado de Assis, no livro “Helena”. São Paulo: Martin Claret, 2002.

§

❝ … se o homem se habitua ao mal e à dor, por que se não há de acostumar ao prazer e ao bem?
— Machado de Assis, no livro “Helena”. São Paulo: Martin Claret, 2002.

§

❝ Não se deliberam sentimentos; ama-se ou aborrece-se, conforme o coração quer.
— Machado de Assis, no livro “Helena”. São Paulo: Martin Claret, 2002.

§

De “IAIÁ GARCIA”

❝ O tempo, esse químico invisível, que dissolve, compõe, extrai e transforma todas as substâncias morais…
— Machado de Assis, no livro “Iaiá Garcia”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ — Penso que o amor verdadeiro, ou ao menos o melhor é o que não vê nada em volta de si, e caminha direito, resoluto e feliz aonde o leva o coração.
— Machado de Assis, no livro “Iaiá Garcia”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal.
— Machado de Assis, no livro “Iaiá Garcia”. São Paulo: Ática, 1998.

§

De “HISTÓRIAS DA MEIA-NOITE”

❝ … a língua humana é cabal para dizer o que se passa no espírito, mas incapaz de dizer o que vem do coração. E acrescentou esta sentença que é engenhosa, mas velha: com os lábios fala a cabeça, com os olhos o coração.
— Machado de Assis, no livro “Histórias da meia-noite”. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2007.

§

❝ Os versos falavam de tudo, da morte e da vida, das flores e dos vermes, dos amores e dos ódios; havia mais de oito ciprestes, cerca de vinte lágrimas, e mais túmulos do que um verdadeiro cemitério.
— Machado de Assis, no livro “Histórias da meia-noite”. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2007.

De “A MÃO E A LUVA”

❝ Há criaturas que chegam aos cinqüenta anos sem nunca passar dos quinze, tão símplices, tão cegas, tão verdes as compõe a natureza; para essas o crepúsculo é o prolongamento da aurora. Outras não; amadurecem na razão das flores; vêm ao mundo com a ruga da reflexão no espírito, — embora, sem prejuízo do sentimento, que nelas vive e influi, mas não domina. Nestas o coração nasce enfreado; trota largo, vai a passo ou galopa, como coração que é, mas não dispara nunca, não se perde nem perde o cavaleiro.
— Machado de Assis, no livro ”A mão e a luva”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ Como se ama pela primeira vez na vida – amor um pouco estouvado e cego, mas sincero e puro.
— Machado de Assis, no livro “A mão e a luva”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ A dor dele era uma espécie de tosse moral, que aplacava e reaparecia, intensa às vezes, as vezes mais fraca, mas sempre infalível.
— Machado de Assis, no livro ”A mão e a luva”. São Paulo: Ática, 1998.

§

❝ Digo-lhe que faz mal, que é melhor, muito melhor contentar-se com a realidade; se ela não é brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir.
— Machado de Assis, no livro ”A mão e a luva”. São Paulo: Ática, 1998.

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De “VÁRIAS HISTÓRIAS”

❝ — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
— Machado de Assis, no livro “Várias histórias”. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

§

De ‘CONTOS AVULSOS’

❝ Infelizmente não há bonito sem senão, nem prazer sem amargura.
— Machado de Assis, no conto “Quem conta um conto…”, em “Contos avulsos”, 1873.

§

❝ …deixou-se possuir da felicidade que aquele beijo, dado tão ardentemente, lhe fazia entrar no coração.
— Machado de Assis, no conto “Questão de vaidade”, em “Contos avulsos”, 1864.

§

❝ …ganha-se sempre em conhecer os caprichos do espírito humano.
— Machado de Assis, no conto “Quem conta um conto…”, em “Contos avulsos”, 1873.

§

❝ As grandes dores desfiguram, assim como as grandes alegrias.
— Machado de Assis, no conto “Bagatela”, em “Contos avulsos”, 1859.

§

❝ Há certos nomes que só assentam em certas criaturas, e que quando ouvimos pronunciá-los como pertencentes a pessoas que não conhecemos, logo atribuímos a estas os dons físicos e morais que julgamos inseparáveis daqueles.
— Machado de Assis, no conto “O anjo das donzelas”, em “Contos avulsos”, 1864.

§

❝ O pressentimento natural e as cores sedutoras com que via pintado o amor nos livros diziam-lhe que devia ser uma coisa divina, mas ao mesmo tempo diziam-lhe também os livros que dos mais auspiciosos amores pode-se chegar aos mais lamentáveis desastres.
— Machado de Assis, no conto “O anjo das donzelas”, em “Contos avulsos”, 1864.

§

❝ Eu acreditaria de boa vontade na eternidade das rosas, mas sempre me repugnou acreditar na eternidade da eternidade…
— Machado de Assis, no conto “Bagatela”, em “Contos avulsos”, 1859.

§

❝ Mas qual é a lei geral da humanidade? É não aceitar aquilo que se lhe dá, para ir buscar aquilo que não poderá obter.
— Machado de Assis, no conto “O anjo das donzelas ”, em “Contos avulsos”, 1864.

§

❝ Todos sabem o que são cacetadas; mas o que é amor, todos ainda ignoram!
— Machado de Assis, no conto “Bagatela”, em “Contos avulsos”, 1859.

§

❝ Sou moço, como tu; sou apto, como tu, para as paixões; mas há uma diferença: eu as domino, porque as paixões não são invencíveis, e só uma moral interesseira e egoísta pode dá-las como tais. Tenho, portanto, além do meu conselho, o meu exemplo.
— Machado de Assis, no conto “Questão de vaidade ”, em “Contos avulsos”, 1864.

§

❝ O amor contrariado, quando não leva a um desdém sublime da parte do coração, leva à tragédia ou à asneira.
— Machado de Assis, no conto “O país das quimeras”, em “Contos avulsos”, 1862.

§

❝ …antigo capitão de milícias, homem de incrível boa fé, que, neste século desabusado, ainda acreditava em duas coisas: nos programas políticos e nas cebolas do Egito.
— Machado de Assis, no conto “O país das quimeras”, em “Contos avulsos”, 1862.

§

❝ Toda a dor desaparece com o tempo por mais profunda que seja… cedo os pesares deixam de manchar o estofo cambiante da existência… Nem custa a desembaraçar a alma das recordações, que ligam ainda os vivos aos mortos… Assim, vai o mundo! Ontem, dor que parecia ser eterna, — sim, eterna como a aurora; hoje, esquecimento total das criaturas extintas, e cuja presença, além disso, seria importuna! E, realmente, os mortos são bem maçantes personagens em exigir uma memória sua sobre a terra. Para quê?
— Machado de Assis, no conto “Bagatela”, em “Contos avulsos”, 1859.

De “PAPÉIS AVULSOS”

❝ Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito.
— Machado de Assis, no livro “Papéis avulsos”. São Paulo: Martin Claret, 2011.

§

❝ A vida, Janjão, é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seus ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante.
— Machado de Assis, no livro “Papéis avulsos”. São Paulo: Martin Claret, 2011.

§

De “CONTOS ESCOLHIDOS” – “OBRAS COMPLETAS”

❝ A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras.
— Machado de Assis, no livro “Contos escolhidos”. São Paulo: Martin Claret, 2010.

§

❝ Um dos defeitos mais gerais, entre nós, é achar sério o que é ridículo, e ridículo o que é sério, pois o tato para acertar nestas coisas é também uma virtude do povo.
— Machado de Assis, em “Ao acaso” (1865). no livro “Obra Completa”. Rio de Janeiro: Edições W. M. Jackson,1937.

§

 

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