e..e. cummings

seleção de poemas de ‘e. e. cummings’

2
as damas de Cambridge que moram em alma mobiliadas
são desbotadas e têm mentes confortáveis
(tambem,com as bênçãos protestantes das igrejas
filhas,inodoras informes devotadas)
crêem em Cristo e Longfellow, ambos mortos,
têm invariável interesse em tantas coisas –
à hora em que escrevo ainda se encontram
dedos dedicados costurando para…poloneses?
talvez. Enquanto rictos rígidos escandem
o escândalo da Sra. N e do Professor D
…as damas de Cambridge nem se tocam,se
sobre Cambridge às vezes em sua caixa de
céu lavanda e redonda, a lua brande
um furioso torrão de açúcar-cande
.

2
the Cambridge ladies who live in furnished souls
are unbeautiful and have comfortable minds
(also, with the church’s protestant blessings
daughters,unscented shapeless spirited)
they believe in Christ and Longfellow,both dead,
are invariably interested in so many things—
at the present writing one still finds
delighted fingers knitting for the is it Poles?
perhaps. While permanent faces coyly bandy
scandal of Mrs. N and Professor D
…. the Cambridge ladies do not care, above
Cambridge if sometimes in its box of
sky lavender and cornerless,the
moon rattles like a fragment of angry candy
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

4
eu gosto do meu corpo quando está com o seu
corpo. É uma coisa tão nova e viva.
Melhores músculos, nervos mais.
eu gosto do seu corpo e do que ele faz,
eu gosto dos seus comos. de tatear as vért
ebras do seu corpo,a sua treme
-lisa-firmeza e que eu quero
mais e mais e mais
beijar, gosto de beijar issoeaquilo de você,
gosto de,lentamente golpeando o,choque
do seu velo elétrico,e o-que-quer-que freme
sobre a carne bipartida…. E olhos migalhas
de amor grandes e acho que gosto de ver sob mim
você vibrar tão viva e nova assim
.

4
i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones,and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like,slowly stroking the,shocking fuzz
of your electric fur,and what-is-it comes
over parting flesh….And eyes big love-crumbs,
and possibly i like the thrill
of under me you so quite new
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

12
já que sentir vem antes
quem prestar atenção
à sintaxe das coisas
nunca te beijará completamente;
ser totalmente louco
quando há primavera
meu sangue aprova,
e beijos são melhor destino
que sabedoria
dama eu juro por todas as flores. Não chores
–o melhor gesto do meu cérebro é menos que
o tremer de tuas pálpebras que diz
que somos um para o outro:então
ri,sem medo em meus braços
pois a vida não é nenhum parágrafo.
E a morte eu acho não é nenhum parêntese
.

12
since feeling is first
who pays any attention
to the syntax of things
will never wholly kiss you;
wholly to be a fool
while Spring is in the world
my blood approves,
and kisses are a better fate
than wisdom
lady i swear by all flowers. Don’t cry
—the best gesture of my brain is less than
your eyelids’ flutter which says
we are for each other:then
laugh,leaning back in my arms
for life’s not a paragraph
and death i think is no parenthesis
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

15
nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente)a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
.

15
somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose
or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

24
minha especialidade é viver – era a legenda
de um homem(que não tinha renda
porque não estava à venda)
olhar à direita – replicaram num segundo
dois bilhões de piolhos púbicos do fundo
de um par de calças(morimbundo)
.

24
my specialty is living said
a man(who could not earn his bread
because he would not sell his head)
squads right impatiently replied
two billion pubic lice inside
one pair of trousers(which had died)
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

27
um político é um ânus no
qual tudo se sentou exceto o humano
.

27
a politician is an arse upon
which everyone has sat except a man
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

29
piedade desse monstro em ação,humanimaldade?
não. O progresso é uma doença confortável:
tua vítima(morte e vida a salvo à pane)
brinca com a grandeza de sua pequeneza
— elétrons deificam uma gilete
em macroescala;lentes estendem
nãodesejo por ondeante ondequando até que ele
retorne ao seu nãoeu.
Mundo de haver
não é mundo de ser—piedade desta pobre
carne e árvores, pobres pedras e estrelas,mas nunca
desse ótimo espécime de hipermágica
ultraonipotência. Nós médicos sabemos
que um caso é sem remédio quando—olhe:tem uma puta
de uma vida boa paca aí do lado; vamos lá
.

29
pity this busy monster,manunkind,
not. Progress is a comfortable disease:
your victim(death and life safely beyond)
plays with the bigness of his littleness
— electrons deify one razorblade
into a mountainrange;lenses extend
unwish through curving wherewhen till unwish
returns on its unself.
A world of made
is not a world of born—pity poor flesh
and trees,poor stars and stones,but never this
fine specimen of hypermagical
ultraomnipotence. We doctors know
a hopeless case if—listen:there’s a hell
of a good universe next door; let’s go
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

35
quando as serpentes paguem para ser serpentes
e o sol para ganhar seu pão recorra à greve –
quando o espinho olhe a rosa com suspeita
e o arco-íris faça seguro contra a neve
quando o tordo nenhum puder cantar enquanto
todos os mochos não fizerem a censura
– e os mares tenham que fechar para balanço
se as ondas não tiverem posto a assinatura
quando o carvalho pedir vênia ao vidoeiro
para gerar seu fruto – o vale casse a vista
dos montes, porque são altos, e fevereiro
acuse março de ser terrorista
então acreditaremos nessa incrí
vel humanidade inanimal (e só aí)
.

35
when serpents bargain for the right to squirm
and the sun strikes to gain a living wage–
when thorns regard their roses with alarm
and rainbows are insured against old age
when every thrush may sing no new moon in
if all screech-owls have not okayed his voice
–and any wave signs on the dotted line
or else an ocean is compelled to close
when the oak begs permission of the birch
to make an acorn-valleys accuse their
mountains of having altitude-and march
denounces april as a saboteur
then we’ll believe in that incredible
unanimal mankind(and not until)
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

38
eu
estou
te pedindo
querida é pra
que mais poderia um
não mas não é o que
claro mas você não parece
entender que eu não posso ser
mais claro a guerra não é o que
imaginamos mas por favor pelo amor de Oh
que diabo sim é verdade que fui
eu mas esse eu não sou eu
você não vê que agora não nem
sequer cristo mas você
precisa compreender
como porque
eu estou
morto
.

38
i’m
asking
you dear to
what else could a
no but it doesn’t
of course but you don’t seem
to realize i can’t make
it clearer war just isn’t what
we imagine but please for god’s O
what the hell yes it’s true that was
me but that me isn’t me
can’t you see now no not
any christ but you
must understand
why because
i am

dead

– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

39
(plu
mas plu
viais
:sonho
de relva sob
re selva &;
que
m pode ser
tão
su
!a!
ve
?ni
ngu
ém)
.

39
(fea
therr
ain
:dreamin
g field o
ver forest &;
wh
o could
be
so
!f!
te
r?n
oo
ne)
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

41
(i)g-a-t-o(m)
ó,v;e:l
SobresssA
It!fl
UtuatombaN
do?de
SligiranteM
(En)(tE)
&&&
passeia:exata
mente;como se
nad
a tivesse,suce
did
O
.

41
(im)c-a-t(mo
b,i;l:e
FallleA
ps!fl
OattumblI
sh?dr
IftwhirlF
(Ul)(lY)
&&&
away wanders:exact
ly;as if
not
hing had,ever happ
ene
D
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

42
so
(l
f
o
l)l
(ha
c
ai)
itude
.

42
l(a
le
af
fa
ll
s)
one
l
iness
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

43
agora ar é ar e coisa é coisa: traço
nenhum da terra celestial seduz
nossos olhos sem ênfase onde luz
a verdade magnífica do espaço.
Montanhas são montanhas; céus são céus –
e uma tal liberdade nos aquece
que é como se o universo uno, sem véus,
total, de nós(somente nós)viesse
– sim;como se, despertas do torpor
do verão,nossas almas mergulhassem
no branco sono onde se irá depor
toda a curiosidade deste mundo
(com júbilo de amor)imortal e a coragem
de receber do tempo o sonho mais profundo
.

43
now air is air and thing is thing:no bliss
of heavenly earth beguiles our spirits,whose
miraculously disenchanted eyes
live the magnificent honesty of space.
Mountains are mountains now; skies now are skies –
and such a sharpening freedom lifts our blood
as if whole supreme this complete doubtless
universe we’d (and we alone had) made
– yes;or as if our souls,awakened from
summer’s green trance,would not adventure soon
a deeper magic:that white sleep wherein
all human curiosity we’ll spend
(gladly,as lovers must) immortal and
the courage to receive time’s mightiest dream
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

44
i(abe)mó
v
e(lha)l
você(n
a)está(ú
nica)
dorm(rosa)indo
.

44
un(bee)mo
vi
n(in)g
are(th
e)you(o
nly)
asl(rose)eep
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

57
o velho prega
cartazes
Fique
A Distância) &
o jovem os ar
ranca (o
velho
grita Não
Ultra) & (pas)
o jovem ri
(se
o velho
ralha Proib
ido Pare
Não De
ve Não Pode
&)o jovem vai
em frente
fic
ando velho
.

57
old age sticks
up Keep
Off
signs)&
youth yanks them
down(old
age
cries No
Tres)&(pas)
youth laughs
(sing
old age
scolds Forbid
den Stop
Must
n’t Don’t
&)youth goes
right on
gr

owing old
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

60
d(oo)is
OlhO
s(viv
os)v
ee
m(enIno)e
qu(s
e
vão)
e
f(E)u(U)i
.

60
the(oo)is
lOOk
(aliv
e)e
yes
are(chIld)and
wh(g
o
ne)
o
w(A)a(M)s
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

65
um riso sem um
rosto(um olhar
sem um eu)
cuida
do(não to
que)ou
desaparec
erá semru
ído(na doce
terra)&
ninguém
(inclusive nós
mesmos)
relem
brará
(por uma fra
ção de
um mo
mento)onde
o que como
quando
por que qual
quem
(ou qualquer coisa)
.

65
a grin without
a face(a look
without an i)
be care
ful(touch noth
ing)or
it’ll disapp
ear bangl
essly(into sweet
the earth)&
nobody
(including our
selves)
will reme
mber
(for 1 frac
tion of
a mo
ment)where
what how
when
who why
which (or anything)
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

69
né(comoemsonho)voa
torna
grande cada dim
inuti
vo faz o óbv
io e
str
anho
a
té que
nósmes
mos vi
remos mun
(magic
a
mente)
dos
.

69
mi(dreamlike)st
makes
big each dim
inuti
ve turns obv
ious t
o s
trange
un
til o
urselve
s are
will be wor
(magi
c
ally)
Ids
– poem(a)s, e. e. cummings. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.

§

e.e. cummings

e. e. cummings: bioflashes
Edward Eastlin Cumrnings, que literariamente sempre assinou E.E. Cummings, ou melhor, e.e. cummings (em caixa baixa), nasceu em 14 de outubro de 1894, em Cambridge, Massachusetts. Estudou em Harvard, de 1911 a 1915, especializando-se em literatura grega.

Voluntário na 1ª Grande Guerra, servindo no corpo de ambulâncias norte-americano na França, passou por uma dura experiência. Preso, por engano, com o seu amigo Slater Brown, que escrevera cartas que desagradaram ao censor francês, foi enviado a um campo de concentração (La Ferté Macé), em Orne, e ali ficou detido, incomunicável, por três meses, sem qualquer culpa, até ser libertado em dezembro de 1917. The Enormous Room, publicado em 1922, são as suas memórias do cárcere” em prosa não-convencional; segundo Hemingway, “um clássico”. “uma obra que não se parece a nenhuma outra”. Nos anos 20 e, mais tarde, em 1931, visitou Paris, onde morou por algum tempo, e outros países europeus, dedicando-se à poesia e à pintura.

Em 1923, sai o seu primeiro livro de poemas, Tulips and Chiinneys. Em 1925, publica & e XLI Poems e, no ano seguinte, is 5. Sua primeira incursão no teatro, Him, estréia em 1928, em Nova Iorque. De Paris, em 1931, Cummings decide conhecer a URSS e parte para Moscou, levando uma carta de apresentação de Aragon para Lília Brik. O diário dessa viagem constitui Eimi (em grego, “eu sou”), prosa experimental, que veio a ser publicada em 1931. Ainda nesse ano publica W(ViVa), poemas, e faz a sua primeira exposição, lançando CIOPW (“charcoal, ink, oil, pencil, watercolor”), livro de desenhos e pinturas. Em 1935. escreve Tom, roteiro para um balé inspirado na “Cabana do Pai Tomás”, e publica (às expensas de sua mãe) um livro de poemas que os editores haviam recusado: no thanks. Em 1938, surge a primeira antologia de sua obra poética até então, Collected Poems. Seguem-se, em 1944, mais um livro de poemas, 1X1, e, em 1946, mais urna peça, Santa Claus. Volta à poesia com XAIPE, em 1950, mas a mais completa coleção de seus poemas vem a seir editada em 1954 um grosso volume de quase 500 páginas: Poems 1923-1954. Seu último livro publicado em vida, 95 Poemns, aparece cm 1958.

Cummings foi casado três vezes. A primeira mulher, Elaine Orr, que o desposou em 1918, deu-lhe a única filha, Nancy. Com a segunda mulher, Anne Barton, o poeta se casou em 1927, divorciando-se alguns anos depois. Marion Moorehouse, que conheceu em 1932, seria a grande e definitiva companheira. Desde 1924, ele se instalara em dois cômodos de uma pequena casa alugada em 4 Patchin Place, na Greenwich Village, passando os verões na casa de campo de seus pais, “Joy Farm”, em New Hampshire, perto das White Mountains e do Silver Lake. Estas foram, até o fim, as suas residências. Elaine Orr casou-se novamente e foi viver na Inglaterra, levando a filha, a quem ocultou a identidade paterna. Somente quando foi morar nos EUA em 1948 e já tinha 28 anos é que Nancy veio a saber, do próprio Cummings, que ele era seu pai. Richard S. Kennedy conta essa novela. com laivos kafkianos, em sua biografia do poeta, Dreams in the Mirror (1980).

Um autêntico homem sem profissão, Cummings viveu por toda a sua vida dos parcos ganhos de poeta e pintor, a princípio ajudado pelos seus pais e avós, depois pela mulher, Marion, modelo e fotógrafa. Amigo de John dos Passos e de Ezra Pound, foi dos poucos que não abandonaram o autor dos Cantos quando este, acusado de traição ao seu país, foi internado no manicômio judiciário de Washington, o St. Elizabeth’s Hospital. Convidado para proferir conferências em Harvard, de 1952 a 1953, escreveu seis palestras, que intitulou i: six nonlectures (eu: seis nao-conferências), com as quais, descobrindo em si próprio urna extraordinária vocação para a leitura de poemas, percorreu com grande êxito de audiência colégios e universidades.

e.e. cummings

Essas conferências, gravadas ao vivo, podem ser ouvidas em discos e cassetes do selo Caedmon, assim como um bom número de poemas lidos pelo próprio poeta. Como Dylan Thomas, que não chegou a gravar Vision and Prayer; Cumrnings não deixou registrado em sua voz nenhum dos seus poemas visuais. Sua poesia, no entanto, interessou vivamente a alguns dos maiores músicos desta segunda metade do século, como John Cage, Luciano Berio e Pierre Boulez (e, entre nós, ao jovem Livio Tragtenberg). Técnicas não convencionais de vocalização, corno as que empregam esses compositores, permitem revelar a insólita musicalidade que se oculta nos poemas tipográficos de Cummings, explorando a hipersonoridade de suas microestruturas fônicas.

Cumrnings morreu em 3 de setembro de 1962, em Madison (New Harnpshire), de um ataque cardíaco. No ano seguinte, sairia uma coleção de seus últimos poemas inéditos: 73 Poems: em 1969, uma importante seleta de suas cartas: Selected Letters, organizada por E. W. Dupee e G. Sladc. Além da biografia citada, não pode deixar de ser referida a anterior, de Charles Norman (The Magic Maker: E. E. Cummings, 1958, reeditada em 1964). Dentre os livros de crítica que tratam de sua poesia, destaca-se o de Norman Friedman, E E Cummings: The Art of His Poetry, 1960.
Augusto de campos, em ” poem(a)s, e. e. cummings”. [organização tradução e notas de augusto de campos]. campinas: editora unicamp, 2011.
© Direitos reservados aos seus herdeiros

© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske em colaboração com José Alexandre da Silva

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