Dylan Thomas - poemas

Dylan Marlais Thomas nasceu em Swansea, no País de Gales, a 27 de outubro de 1914. Considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, juntamente com W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T.S. Eliot e W.B. Yeats. Dylan Thomas teve uma vida muito curta, devido a exagerada boemia que o levou ao fim de seus dias aos 39 anos, mas, ainda teve tempo de nos deixar um legado poético que o tornou um dos maiores influenciadores de toda uma geração de escritores. Leia mais sobre: AQUI!

“Estamos nus? Temos os nossos ossos e os nossos órgãos, a nossa pele e a nossa carne. Há uma fita de sangue a prender o teu cabelo. Não tenhas medo. Tens um tecido de veias à volta das coxas. O mundo passou numa carga sobre eles, o vento caiu em nada, soprando os frutos da batalha sob a lua. Peter ouviu as canções dos pássaros, mas não eram como as que ouvira aos pássaros, no parapeito do quarto, lançar das gargantas. Os pássaros estavam cegos.”
– Dylan Thomas, em “Uma visão do mar e outros contos”. [tradução de Nuno Vidal]. 2ª ed., Lisboa: Vega Editora, p. 58.

 

EM TRADUÇÃO DE AUGUSTO DE CAMPOS

A força que do pavio verde inflama a flor
A força que do pavio verde inflama a flor
Inflama a minha idade verde; que rói as raízes das árvores
É a que me destrói.
E mudo eu sou pra dizer à rosa curva
Que à minha juventude encurva a mesma febre de inverno.

A força que através das rochas move a água
Move o meu sangue rubro; que seca os rios vociferantes
Torna em cera os meus rios.
E mudo eu sou para gritar às minhas veias
Que é a mesma boca a sorver a fonte da montanha.

A mão que faz girar a água no charco
Acorda a areia movediça; que amarra o sopro do vento,
Me arma a vela e a mortalha.
E mudo eu sou pra dizer ao enforcado
Que a minha argila e a do carrasco são a mesma argila.
O tempo com seus lábios suga as minhas fontes;
O amor goteja e coalha mas o sangue caído
Calmará suas chagas.
E mudo eu sou pra dizer ao vento como o tempo
Pulsou um céu em torno das estrelas.

E mudo eu sou pra dizer ao tumulo da amante
Que, curvo, em meus lençóis, se arrasta o mesmo verme.

1933
.

The force that through the green fuse drives the flower
The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.

The force that drives the water through the rocks
Drives my red blood; that dries the mouthing streams
Turns mine to wax.
And I am dumb to mouth unto my veins
How at the mountain spring the same mouth sucks.

The hand that whirls the water in the pool
Stirs the quicksand; that ropes the blowing wind
Hauls my shroud sail.
And I am dumb to tell the hanging man
How of my clay is made the hangman’s lime.

The lips of time leech to the fountain head;
Love drips and gathers, but the fallen blood
Shall calm her sores.
And I am dumb to tell a weather’s wind
How time has ticked a heaven round the stars.

And I am dumb to tell the lover’s tomb
How at my sheet goes the same crooked worm.

1933
– Dylan Thomas, em “Poesia da recusa”. [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§

A mão que assina o ato assassina a cidade
A mão que assina o ato assassina a cidade.
Cinco dedos reais taxam o ar – é a lei.
Cevam o morticínio e ceifam um país;
Os cinco reis que dão cabo de um rei.

A mão que manda mana de um ombro em declínio,
Cãibras deduram nós nos dedos que a cal cala.
Penas de ganso firmam o assassínio
Que pôs fim a uma fala.

A mão que assina o pacto traz a peste,
Praga e devastação, o gafanhoto e a fome;
Grande é a mão que pesa sobre o homem
Ao rabisco de um nome.

Os cinco reis contam os mortos mas não curam
A crosta da ferida e o rosto já sem cor.
A mão rege a clemência como a outra os céus.
Mãos não têm lágrimas a expor.

1933
.

The hand that signed the paper felled a city
The hand that signed the paper felled a city;
Five sovereign fingers taxed the breath,
Doubled the globe of dead and halved a country;
These five kings did a king to death.

The mighty hand leads to a sloping shoulder,
The finger joints are cramped with chalk;
A goose’s quill has put an end to murder
That put an end to talk.

The hand that signed the treaty bred a fever,
And famine grew, and locusts came;
Great is the hand the holds dominion over
Man by a scribbled name.

The five kings count the dead but do not soften
The crusted wound nor pat the brow;
A hand rules pity as a hand rules heaven;
Hands have no tears to flow.

1933
– Dylan Thomas, em “Poesia da recusa”. [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§

E a morte não terá domínio
E a morte não terá domínio.
Nus, os mortos hão de ser um.
Com o homem ao léu e a lua em declínio.
Quando os ossos são só ossos que se vão,
Estrelas nos cotovelos e nos pés;
Mesmo se loucos, hão de ser sãos,
Do fundo do mar ressuscitarão
Amantes podem ir, o amor não.
E a morte não terá domínio.

E a morte não terá domínio.
Sob os turvos torvelinhos do mar
Os que jazem já não morrerão ao vento,
Torcendo-se nos ganchos, nervos a desfiar,
Presos a uma roda, não se quebrarão,
A fé em suas mãos dobrará de alento,
E os males do unicórnio perderão o fascínio,
Esquartejados não se racharão.
E a morte não terá domínio.

E a morte não terá domínio.
Os gritos das gaivotas não mais se ouvirão
Nem as ondas altas quebrarão nas praias.
Onde uma flor brotou não poderá outra flor
Levantar a cabeça às lufadas da chuva;
Embora sejam loucas e mortas como pregos,
Testas tenazes martelarão entre margaridas:
Irromperão ao sol até que o sol se rompa,
E a morte não terá domínio.

1933
.

And death shall have no dominion
And death shall have no dominion.
Dead man naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan’t crack;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.

1933
– Dylan Thomas, em “Poesia da recusa”. [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§

Recusa a prantear a morte, pelo fogo, de uma menina em Londres
Jamais até que ao homem humilhado
Com ave e fera e flor
A escuridão que os fez
Diga pelo silêncio o fim do último lume
E a hora do torpor
Venha em tropel do mar e se consome

Ainda que eu deva reviver a circular
Sião da perolágrima
E o grão trigal da sinagoga
Hei de salmear a sombra de um só som
Das sementes de sal
No último vale em vestes de lamúria

À majestade e às chamas da criança.
Não me verão matar
O que há de humano na verdade rude
Nem violar a via-crucis da lembrança
Com mais alguma
Elegia à inocência e à juventude.

Com o primeiro morto jaz, filha de Londres,
Vestida amigos, grãos além-agora,
Nas veias turvas de sua mãe se encontra,
No mais secreto da água que não chora
Do Tâmisa que trota.
Depois da primeira morte, não há outra.

1945
.

A refusal to mourn the death, by fire, of a child in London
Never until the mankind making
Bird beast and flower
Fathering and all humbling darkness
Tells with silence the last light breaking
And the still hour
Is come of the sea tumbling in harness

And I must enter again the round
Zion of the water bead
And the synagogue of the ear of corn
Shall I let pray the shadow of a sound
Or sow my salt seed
In the least valley of sackcloth to mourn

The majesty and burning of the child’s death.
I shall not murder
The mankind of her going with a grave truth
Nor blaspheme down the stations of the breath
With any further
Elegy of innocence and youth.

Deep with the first dead lies London’s daughter,
Robed in the long friends,
The grains beyond age, the dark veins of her mother,
Secret by the unmourning water
Of the riding Thames.
After the first death, there is no other.

1945
– Dylan Thomas, em “Poesia da recusa”. [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§

Neste meu ofício ou arte.
Neste meu ofício ou arte
Soturna e exercida à noite
Quando só a lua ulula
E os amantes se deitaram
Com suas dores em seus braços,
Eu trabalho à luz que canta
Não por glória ou pão, a pompa
Ou o comércio de encantos
Sobre os palcos de marfim
Mas pelo mero salário
Do seu coração mais raro.

Não para o orgulhoso à parte
Da lua ululante escrevo
Nestas páginas de espuma
Nem aos mortos como torres
Com seus rouxinóis e salmos
Mas para os amantes, braços
Cingindo as dores do tempo,
Que não pagam, louvam, nem
Sabem do meu ofício ou arte.

1945
.

In my craft or sullen art.
In my craft or sullen art
Exercised in the still night
When only the moon rages
And the lovers lie abed
With all their griefs in their arms,
I labour by singing light
Not for ambition or bread
Or the strut and trade of charms
On the ivory stages
But for the common wages
Of their most secret heart.

Not for the proud man apart
From the raging moon I write
On these spindrift pages
Nor for the towering dead
With their nightingales and psalms
But for the lovers, their arms
Round the griefs of the ages,
Who pay no praise or wages
Nor heed my craft or art.

1945
– Dylan Thomas, em “Poesia da recusa”. [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§

Não vás tão docilmente
Não vás tão docilmente nessa noite linda;
Que a velhice arda e brade ao término do dia;
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

Embora o sábio entenda que a treva é bem-vinda
Quando a palavra já perdeu toda a magia,
Não vai tão docilmente nessa noite linda.

O justo, à última onda, ao entrever, ainda,
Seus débeis dons dançando ao verde da baía,
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

O louco que, a sorrir, sofreia o sol e brinda,
Sem saber que o feriu com a sua ousadia,
Não vai tão docilmente nessa noite linda.

O grave, quase cego, ao vislumbrar o fim da
Aurora astral que o seu olhar incendiaria,
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

Assim, meu pai, do alto que nos deslinda
Me abençoa ou maldiz. Rogo-te todavia:
Não vás tão docilmente nessa noite linda.
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

1945
.

Do not go gentle into that good night
Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn , too late, they grieved it on its way
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, em now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.

1945
– Dylan Thomas, em “Poesia da recusa”. [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§

Visão e prece

Quem
É o ser
Que vai nascer
No quarto tão rente
De mim e tão pungente
Que eu posso ouvir o ventre
Se abrindo na obscura corrente
Sobre o fantasma e o filho cadente
Atrás do muro fino como o osso de um carriço?
No quarto cruento do nascimento avesso
Ao fogo e ao jogo do tempo sem nome
E à cor do coração do homem
Nenhum batismo brando
A escuridão apenas
Abençoando
O que nas-
Ceu

Eu
Devo jazer
Qual pedra mudo
Parado junto ao muro
De osso oco enquanto ouço
O gemido da mãe no calabouço
E a cabeça a sair em dor do escuro
Expulsando o amanhã como um espinho
E as parteiras de portentos com seus coros
Até que a voz do turbulento nascituro
Me queime com seu nome e seu calor
E todo o alado muro desmorone
Por sua tórrida coroa
E o negro trone
Do seu lombo
À flux da
Luz.

Se
O osso
Do carriço
Torcer-se e a aurora
Enfurecida por seu rio
Enxamear o reino advindo
Do encantador do astral celeste
E da orvalhada virgem maternante
Que o fez nascer com uma fogueira em sua
Boca e o embalou como um tornado
Eu correrei perdido em momentâneo
Terror e brilhando com o brilho
Do quarto antes sem lampejo
Chorando em vão
No caldeirão
Do seu
Beijo

No
Giro
Do sol insone
Na espuma em brasa
Do ciclone de sua asa
Pois me perdi eu que me atiro
Chorando ao trono húmido e frio
Do homem na primeira fúria do seu rio
E todos os relâmpagos de ais e suspiros
Ora em negro silencio choram e deploram
Visto que eu me perdi eu que cheguei
Ao porto mais perturbador
E ao único que acha
E a luz do meio-dia
De sua c haga
Cega-me a
Dor


Curvado nu
Na furna da urna
Do seu fulgurante
Peito sem fim acordarei
Para o jubilinático juízo
Da profundeza do mar sem peias
À névoa da nuvem da nave da tumba
E ao pó imposto a velejar para o alto
Com sua flama em cada grão.
Oh! espiral em ascensão
Do vulturino relicário
Da manhã do homem
Quando a terra
Em que ele
Erra

E
O mar
Nato louvam o sol
Aquele Um que se abre
E um ereto Adão
Cantou sobre sua origem!
Oh! As asas das crianças!
E o lacerado vôo dos antigos
Jovens dos mais longevos cânions do oblívio!
A marcha celestial dos sempre mortos
Em batalha! A miragem
Dos santos nos seus olhos!
O mundo sem paragem!
E toda a dor re-
Deia – me
E eu
Morro.

II

Em nome dos perdidos que se aplaudem
Nos porcinos plainos dos cadáveres
Sob os cantos funéreos
De aves de cargas curvas
Ao peso das carcaças
Do mar e do verde
Pó espectral
Do que
Vem
Do chão
Qual pólen
Na pluma preta
E no bico da lama
Eu clamo em bora não pertença
Inteiramente a essa lamurienta
Hoste porque a alegria alvoreceu no interno
Da mais ima medula do osso da minha alma
Que o que aprendeu agora o sol e a lua
Do leite de sua mãe retome alento
Antes que os lábios flamem e floresçam
No quarto do nascer sanguinolento
Atrás do muro de osso
Do carriço e emudeçam
E o ventre que
P a r i u
Para
T o d o s
Os homens
A luz do amado infante
Ou cárcere de encanto
Boceje agora à sua vinda
Em nome dos impuros
Perdidos na montanha sem batismo
A ele ora eu imploro do centro deste escuro

Deixe que os mortos jazam mesmo que se insurjam
E com suas mãos de urze os alce e urja
À urna de sua úlcera do mundo
E o jardim das gotas de sangue
Clausure a hoste cega
De pedra até o sono
Na escura
E funda
Rocha
Desabroche
Não o osso da alma
Mas que ele se rache
Na coroa do monte
Não comandado pelo sol
E que se arraste enfim o pó
Até o fim da foz do rio mais distante
Sob o negror da noite caíndo para sempre só.

Para sempre caíndo a noite é uma estrela
Conhecida e um país para a legião
Do dormientes cuja língua eu tanjo
Para prantear sua diluviosa
Luz através de mar e solo
E assim viemos
A conhecer
Lugares
Ruas
Labirintos
E passagens
Bairros e túmulos
Da queda interminável.
Agora lázaro comum
Das orações que armam os dormientes
Para nunca acordar e levantar-se
Pois o país da morte é igual a um coração

E a estrela dos perdidos tem a forma de olhos.
Em nome dos sem pai
Em nome dos não natos
E dos que recusam
As mãos ou instrumentos
Das manhãs parturientes
Oh! em nome
De ninguém
Agora ou
Quem
Quer que
Venha eu oro:
Que o sol carmim
Seja um tumulo sem
Cor e a cor sem cor da argila
Escorra sobre o seu martírio
No ocaso acaso interpretado enfim
E a conhecida escuridão da terra amém.
Eu viro ao viés da prece e queimo à pira
Sob a consolação de um súbito
Sol. Em nome dos malditos
Todo o meu ser gira
Para a terra oculta
Mas o sol avulta
E batiza
O céu.
Eu
Me acho.
Arda-me e afunde-
Me na ferida do mundo.
Seu raio responde ao meu
Grito. Minha voz queima em sua mão.
Agora estou perdido e me enceguece
O Um. O sol ruge ao término da prece.

1945
.

Vision and prayer

W h o
A r e y o u
Who is born
In the next room
So loud to my own
That I can hear the womb
Opening and the dark run
Over the ghost and the dropped son
Behind the wall thin as a wren’s bone ?
In the birth bloody room unknown
To the burn and turn of time
And the heart print of man
Bo w s n o b a p t i s m
Bu t d a r k a l o n e
Blessing on
The wild
Child.

I
Must lie
S t i l l as s t o n e
By the wren bone
Wall hearing the moan
Of the mother hidden
And the shadowed head of pain
Casting to-morrow like a thorn
And the midwives of miracle sing
Until the turbulent new born
Burns me his name and his flame
And the winged wall is torn
By his torrid crown
And the dark thrown
From his loin
T o b r i g h t
L i g h t.

W h e n
T h e w r e n
Bone writhes down
And the first dawn
Furied by his stream
Swarms on the kingdom come
Of the dazzler of heaven
And the splashed mothering maiden
Who bore him with a bonfire in
His mouth and rocked him like a storm
I shall run lost in sudden
Terror and shining from
The once hooded room
C r y i n g i n v a i n
I n the c a u l d r o n
O f h i s
K i s s

I n
T h e s p i n
O f t h e s u n
I n t h e s p u m i n g
Cyclone of his wing
For I was lost who am
Crying at the man drenched throne
In the first fury of his stream
A n d t h e l i g h t n i n g s o f a d o r a t i o n
Back to black silence melt and mourn
For I was lost who have come
To dumbfounding haven
And the finding one
And the high noon
Of his wound
Blinds my
C r y.

T h e r e
Crouched bare
I n t h e s h r i n e
O f h i s b l a z i n g
B r e a s t I s h a l l w a k e n
To the judge blown bedlam
Of the uncaged sea bottom
The cloud climb of the exhaling tomb
And the bidden dust upsailing
With his flame in every grain.
O spiral of ascension
From the vultured urn
Of the morning
Of man when
The land
And

T h e
B o r n s e a
Praised the sun
T h e fi n d i n g o n e
A n d u p r i g h t A d a m
S a n g u p o n o r i g i n !
O the wings of the children!
The woundward flight of the ancient
Young from the canyons of oblivion!
The sky stride of the always slain
In battle! the happening
Of saints to their vision!
The world winding home!
And the whole pain
F l o w s o p e n
A n d I
D i e.

II

In the name of the lost who glory in
The swinish plains of carrion
U n d e r t h e b u r i a l s o n g
Of the birds of burden
Heavy with the drowned
And the green dust
A n d b e a r i n g
The ghost
F r o m
The ground
L i k e p o l l e n
On the black plume
And the beak of slime
I pray though I belong
Not wholly to that lamenting
Brethren for joy has moved within
The inmost marrow of my heart bone

That he who learns now the sun and moon
Of his mother’s milk may return
Before the lips blaze and bloom
To the birth bloody room
Behind the wall’s wren
Bone and be dumb
And the womb
T h a t b o r e
F o r
A l l m e n
T h e a d o r e d
I n f a n t l i g h t o r
The dazzling prison
Yawn to his upcoming.
In the name of the wanton
Lost on the unchristened mountain
In the centre of dark I pray him

That he let the dead lie though they moan
For his briared hands to hoist them
To the shrine of his world’s wound
And the blood drop’s garden
E n d u r e t h e s t o n e
Blind host to sleep
I n t h e d a r k
A n d d e e p
R o c k
A w a k e
No heart bone
But let it break
On the mountain crown
U n b i d d e n b y t h e s u n
And the beating dust be blown
Down to the river rooting plain
U n d e r t h e n i g h t f o r e v e r f a l l i n g.

Forever falling night is a known
Star and country to the legion
Of sleepers whose tongue I toll
T o m o u r n h i s d e l u g i n g
Light through sea and soil
And we have come
T o k n o w a l l
P l a c e s
W a y s
M a z e s
P a s s a g e s
Quarters and graves
O f t h e e n d l e s s f a l l.
N o w c o m m o n l a z a r u s
Of the charting sleepers prays
N e v e r t o a w a k e a n d a r i s e
For the country of death is the heart’s size

And the star of the lost the shape of the eyes.
In the name of the fatherless
In the name of the unborn
A n d t h e u n d e s i r e r s
Of midwiving morning’s
Hands or instruments
O in the name
Of no one
Now or
N o
O n e t o
B e I p r a y
May the crimson
Sun spin a grave grey
And the colour of clay
Stream upon his martyrdom
I n t h e i n t e r p r e t e d e v e n i n g
And the known dark of the earth amen.

I turn the corner of prayer and burn
I n a b l e s s i n g o f t h e s u d d e n
Sun. In the name of the damned
I would turn back and run
To the hidden land
But the loud sun
Christens down
T h e s k y.
I
Am found.
O l e t h i m
Scald me and drown
Me in his world’s wound.
His lightening answers my
Cry. My voice burns in his hand.
Now I am lost in the blinding
One. The sun roars at the prayer’s end.

1945
– Dylan Thomas, em “Poesia da recusa”. [organização e tradução Augusto de Campos]. Coleção signos 42. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

§

EM TRADUÇÃO DE IVO BARROSO

No meu ofício ou arte amarga
No meu ofício ou arte amarga
Que à noite tarda é exercido
Quando alucina só a lua
E dormem lassos os amantes
Com as dores todas entre os braços,
É que trabalho à luz cantante
Não pela glória ou pelo pão,
Desfile ou feira de fascínios
Por sobre palcos de marfim,
Mas pela paga mais afim
De seus secretos corações!

Não para alguém altivo à parte
Da lua irada é que eu escrevo
Os respingados destas páginas
Nem pelos mortos presumidos
Cheios de salmo e rouxinóis.
Mas para amantes cujos braços
Têm os cansaços das idades
Que não me dão louvor nem paga
Nem prezam meu ofício ou arte.
.

In my craft or sullen art
In my craft or sullen art
Exercised in the still night
When only the moon rages
And the lovers lie abed
With all their griefs in their arms,
I labor by singing light
Not for ambition or bread
Or the strut and trade of charms
On the ivory stages
But for the common wages
Of their most secret heart.

Not for the proud man apart
From the raging moon I write
On these spindrift pages
Nor for the towering dead
With their nightingales and psalms
But for the lovers, their arms
Round the griefs of the ages,
Who pay no praise or wages
Nor heed my craft or art.
– Dylan Thomas, em “O torso e o gato — O melhor da poesia universal”. [seleção, organização e tradução Ivo Barroso]. Rio de Janeiro: Editora Record, 1991.

§

EM TRADUÇÃO DE IVAN JUNQUEIRA

Não entres nessa noite acolhedora com doçura
ão entres nessa noite acolhedora com doçura,
Pois a velhice deveria arder e delirar ao fim do dia;
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.

Embora os sábios, ao morrer, saibam que a treva
[ lhes perdura,
Porque suas palavras não garfaram a centelha
[ esguia,
Eles não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os bons que, após o último aceno, choram pela
[ alvura
Com que seus frágeis atos bailariam numa verde
[ baía
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

Os loucos que abraçaram e louvaram o sol na etérea
[ altura
E aprendem, tarde demais, como o afligiram em sua
[ travessia
Não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os graves, em seu fim, ao ver com um olhar que os
[ transfigura
Quanto a retina cega, qual fugaz meteoro, se
[ alegraria,
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

E a ti,meu pai, te imploro agora, lá na cúpula
[ obscura,
Que me abençoes e maldigas com a tua lágrima
[ bravia.
Não entres nessa noite acolhedora com doçura,
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.
.

Do not go gentle into that good night
Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
– Dylan Thomas, em “Poemas reunidos 1934-1953. Dylan Thomas”. [tradução, introdução e notas de Ivan Junqueira]. 2ª ed., revista, Rio de Janeiro: José Olympio, 2003.

§

Colina de samambaias
Quando, junto à casa em festa, sob os ramos da macieira,
Eu era lépido e jovem, e feliz como era verde a relva,
A noite suspensa sobre as estrelas do desfiladeiro,
O tempo a permitir que eu gritasse e me erguesse,
Dourado, no fulgurante apogeu de seus olhos,
Eu, venerado entre as carroças, era o príncipe da cidade das maçãs,
E certa vez, com orgulho, fiz com que as árvores e as folhas
Se arrastassem com margaridas e cevada
Até os rios iluminados pelos frutos caídos sobre a terra.

E como era moço e descuidado, famoso entre os celeiros
Ao redor do pátio feliz, e cantava, pois a fazenda era o meu lar,
Sob o sol, que é jovem apena uma vez,
O tempo deixava-me brincar e ser dourado
Na misericórdia de seus bens,
E, verde e dourado, eu era caçador e pastor, mugiam os bezerros
Ao som de minha trompa, das colinas vinha o uivo claro e frio das raposas,
E lentamente ecoava a celebração do domingo
Nos seixos dos córregos sagrados.

Tudo fluía e era belo sob o sol: os campos de feno
Altos como a casa, a música das chaminés, tudo era ar
E ecoava, cheio de água e sortilégio,
E fogo era tão verde quanto a relva,
E à noite, sob a luz das estrelas humildes,
Enquanto eu cavalgava rumo ao sono, as corujas subjugavam a fazenda,
E sob a lua, abençoado entre os estábulos, eu ouvia os noitibós
Voando entre as medas, e os cavalos
Que flamejavam em meio às trevas.

E então, ao despertar, a fazenda, como um vagabundo
Branco de orvalho, regressa com o galo sobre o ombro: tudo
Fulgia, tudo era Adão e sua donzela,
O céu se adensava outra vez
E o sol crescia ao redor daquele dia imaculado.
Assim deve ter sido após o nascimento da luz elementar
No primitivo espaço giratório, e os ardentes cavalos encantados
Saíam relinchando da verde estrebaria
Rumo ao campos da celebração.

E na casa em festa, venerado entre raposas e faisões,
Sob as nuvens recém-formadas, e tão feliz quanto era grande o coração,
Ao sol que renasce a cada dia,
Eu corria por meus caminhos temerários,
Meus desejos se precipitavam pelo alto feno da casa
E nada me importava, em meu comércio celestial, pois o tempo
Em suas órbitas melodiosas, só concede raras canções matinais
Antes que as crianças verdes e douradas
O acompanham até o estertor da graça,

Nada me importava, nos dias brancos como cordeiros, que o tempo
[me levasse,
Pela sombra de minhas mãos, até o paiol cheio de andorinhas,
Sob a lua que jamais deixa de galgar os céus,
Nem mesmo, ao cavalgar rumo ao sono,
Que chegasse a ouvi-la flutuar entre os altos campos
E acordasse na fazenda apagada para sempre nessa terra sem crianças,
Ah! Quando eu era lépido e jovem, na misericórdia de seus bens,
Embora eu cantasse em meus grilhões como canta o mar.
.

Fern hill
Now as I was young and easy under the apple boughs
About the lilting house and happy as the grass was green,
The night above the dingle starry,
Time let me hail and climb
Golden in the heydays of his eyes,
And honoured among wagons I was prince of the apple towns
And once below a time I lordly had the trees and leaves
Trail with daisies and barley
Down the rivers of the windfall light.

And as I was green and carefree, famous among the barns
About the happy yard and singing as the farm was home,
In the sun that is young once only,
Time let me play and be
Golden in the mercy of his means,
And green and golden I was huntsman and herdsman, the calves
Sang to my horn, the foxes on the hills barked clear and cold,
And the sabbath rang slowly
In the pebbles of the holy streams.

All the sun long it was running, it was lovely, the hay
Fields high as the house, the tunes from the chimneys, it was air
And playing, lovely and watery
And fire green as grass.
And nightly under the simple stars
As I rode to sleep the owls were bearing the farm away,
All the moon long I heard, blessed among stables, the nightjars
Flying with the ricks, and the horses
Flashing into the dark.

And then to awake, and the farm, like a wanderer white
With the dew, come back, the cock on his shoulder: it was all
Shining, it was Adam and maiden,
The sky gathered again
And the sun grew round that very day.
So it must have been after the birth of the simple light
In the first, spinning place, the spellbound horses walking warm
Out of the whinnying green stable
On to the fields of praise.

And honoured among foxes and pheasants by the gay house
Under the new made clouds and happy as the heart was long,
In the sun born over and over,
I ran my heedless ways,
My wishes raced through the house high hay
And nothing I cared, at my sky blue trades, that time allows
In all his tuneful turning so few and such morning songs
Before the children green and golden
Follow him out of grace,

Nothing I cared, in the lamb white days, that time would take me
Up to the swallow thronged loft by the shadow of my hand,
In the moon that is always rising,
Nor that riding to sleep
I should hear him fly with the high fields
And wake to the farm forever fled from the childless land.
Oh as I was young and easy in the mercy of his means,
Time held me green and dying
Though I sang in my chains like the sea.
– Dylan Thomas, em “Poemas reunidos 1934-1953. Dylan Thomas”. [tradução, introdução e notas de Ivan Junqueira]. 2ª ed., revista, Rio de Janeiro: José Olympio, 2003.

§

Amor no hospício
Uma estranha chegou
A dividir comigo um quarto nessa casa que anda mal da cabeça,
Uma jovem louca como os pássaros

Que trancava a porta da noite com seus braços, suas plumas.
Espigada no leito em desordem
Ela tapeia com nuvens penetrantes a casa à prova dos céus

Até iludir com seus passos o quarto imerso em pesadelo,
Livre como os mortos,
Ou cavalga os oceanos imaginários do pavilhão dos homens.

Chegou possessa
Aquela que admite a ilusória luz através do muro saltitante,
Possuída pêlos céus
Ela dorme no catre estreito, e no entanto vagueia na poeira
E no entanto delira à vontade
Sobre as tábuas do manicômio aplainadas por minhas lágrimas deâmbulas.

E arrebatado pela luz de seus braços, enfim, meu Deus, enfim
Posso de fato
Suportar a primeira visão que incendeia as estrelas.
.

Love in the asylum
A stranger has come
To share my room in the house not right in the head,
A girl mad as birds

Bolting the night of the door with her arm her plume.
Strait in the mazed bed
She deludes the heaven-proof house with entering clouds

Yet she deludes with walking the nightmarish room,
At large as the dead,
Or rides the imagined oceans of the male wards.

She has come possessed
Who admits the delusive light through the bouncing wall,
Possessed by the skies

She sleeps in the narrow trough yet she walks the dust
Yet raves at her will
On the madhouse boards worn thin by my walking tears.

And taken by light in her arms at long and dear last
I may without fail
Suffer the first vision that set fire to the stars.
– Dylan Thomas, em “Poemas reunidos 1934-1953. Dylan Thomas”. [tradução, introdução e notas de Ivan Junqueira]. 2ª ed., revista, Rio de Janeiro: José Olympio, 2003.

§

EM TRADUÇÃO DE FERNANDO GUIMARÃES

Não entres docilmente nessa noite serena
Não entres docilmente nessa noite serena,
porque a velhice deveria arder e delirar no termo do dia;
odeia, odeia a luz que começa a morrer.

No fim, ainda que os sábios aceitem as trevas,
porque se esgotou o raio nas suas palavras, eles
não entram docilmente nessa noite serena.

Homens bons que clamaram, ao passar a última onda, como podia
o brilho das suas frágeis acções ter dançado na baía verde,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E os loucos que colheram e cantaram o voo do sol
e aprenderam, muito tarde, como o feriram no seu caminho,
não entram docilmente nessa noite serena.

Junto da morte, homens graves que vedes com um olhar que cega
quanto os olhos cegos fulgiriam como meteoros e seriam alegres,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E de longe, meu pai, peço-te que nessa altura sombria
venhas beijar ou amaldiçoar-me com as tuas cruéis lágrimas.
Não entres docilmente nessa noite serena.

Odeia, odeia a luz que começa a morrer.
.

Do not go gentle into that good night
Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
– Dylan Thomas, em “A mão ao assinar este papel. Dylan Thomas”. [tradução e prefácio de Fernando Guimarães]. Lisboa: Editora Assírio & Alvim, 1998.

§

EM TRADUÇÃO DE JORGE DE SENA

A luz rompe onde o sol não brilha
A luz rompe onde o sol não brilha;
Onde o mar não corre, as águas do coração
Avançam suas marés;
E, quebrados espectros com pirilampos nas cabeças.

As coisas da luz
Insinuam-se na carne onde carne não cobre os ossos.
Um círio entre as pernas
Aquece a juventude e o sémen e queima o sémen da idade;
Onde sémen se não agita,
O fruto do homem incha nas estrelas,
Brilhante como um figo;
Onde cera não há, o círio mostra os seus cabelos.

A alvorada rompe atrás dos olhos;
De mastros do crânio e dedos dos pés o soprante sangue
Desliza como um mar;
Sem muros nem estacadas, os borbotões do céu
Esguicham para a vara do vedor
Num sorriso o óleo das lágrimas.

A noite nas órbitas arredondada,
Como uma luz de paz, o limite dos globos;
O dia acende o osso;
Onde frio não há, as ventanias desprendem
As vestes do Inverno;
A película da Primavera pende nas pálpebras.

A luz rompe em lotes secretos,
Em pontas do pensar onde os pensamentos cheiram mal na chuva;
Quando a lógica morre,
O segredo do solo cresce pelos olhos dentro,
E o sangue salta ao sol;
Por sobre os terrenos vagos a alvorada pára.
.

Light breaks where no sun shines
Light breaks where no sun shines;
Where no sea runs, the waters of the heart
Push in their tides;
And, broken ghosts with glow-worms in their heads,
The things of light
File through the flesh where no flesh decks the bones.

A candle in the thighs
Warms youth and seed and burns the seeds of age;
Where no seed stirs,
The fruit of man unwrinkles in the stars,
Bright as a fig;
Where no wax is, the candle shows its hairs.

Dawn breaks behind the eyes;
From poles of skull and toe the windy blood
Slides like a sea;
Nor fenced, nor staked, the gushers of the sky
Spout to the rod
Divining in a smile the oil of tears.

Night in the sockets rounds,
Like some pitch moon, the limit of the globes;
Day lights the bone;
Where no cold is, the skinning gales unpin
The winter’s robes;
The film of spring is hanging from the lids.

Light breaks on secret lots,
On tips of thought where thoughts smell in the rain;
When logics die,
The secret of the soil grows through the eye,
And blood jumps in the sun;
Above the waste allotments the dawn halts.
– Dylan Thomas, em “Poesia do Século XX, antologia”. [tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena]. Porto: Edições ASA, 3ª ed., 2003.

.

Saiba mais sobre Dylan Thomas:
:: Dylan Thomas – o poeta galês (Biobibliografia, fortuna crítica e afins)

© Direitos reservados aos seus herdeiros

© Pesquisa, seleção e organização: Elfi Kürten Fenske em colaboração com José Alexandre da Silva

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