Lovers in Pink, Marc Chagall 1916 Private Collection (detalhe)

Soneto de fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

– Vinicius de Moraes, do livro “Antologia poética”. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960, p. 96.

Ouça aqui Vinicius de Moraes recitando “Soneto de Fidelidade” (Vinicius de Moraes). Acompanhado de Tom Jobim no piano

 

Saiba mais sobre Vinicius de Moraes:
Vinicius de Moraes – a última entrevista
Vinicius de Moraes – entrevistado por Clarice Lispector
Vinicius de Moraes – o poeta não tem fim
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Vinicius de Moraes (poemas e crônicas neste site)

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